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domingo, 14 de dezembro de 2014

Bossa Nova: Elegância e simplicidade que ecoa pelos tempos, inclusive na música



Rio de Janeiro, década de 50. Uma tarde amena de domingo, no berço da Bossa Nova: o Beco das Garrafas, em uma roda de amigos.

Dê o play, feche os olhos e imagine-se nessa situação, tocando ao fundo, um dos clássicos mundiais da Bossa Nova: Garota de Ipanema, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim.


O Dressed on the Beat desta semana propõe a você, caro leitor, uma viagem não por um estilo de vestir, mas por uma década muito linda e marcante, para agregar ao seu look, não noções de moda, mas de história.

História

Iniciado nos anos 50, com a euforia dos chamados ‘Anos Dourados’, a Bossa Nova, um dos movimentos mais geniais da música popular brasileira, surgiu através de compositores e cantores como Antônio Carlos Jobim, Vinícius de Moraes e João Bonfá. 

Com fortes influências do jazz norte-americano e derivações do samba, a Bossa Nova é caracterizada pelo estilo 'canto-falado', com mantimento constante do tom de voz, e sutis variações do mesmo, ao contrário do que era comum na época, a chamada ‘grande voz’ que, por muitas vezes, roubava a cena das belas melodias e letras das canções.

A modernização do samba carioca urbano, feita por jovens cantores e compositores de classe média da zona leste do Rio de Janeiro, fez com que a Bossa Nova fosse eternizada não só no Brasil, mas no mundo todo, inclusive durante o Golpe Militar de 1964, onde a música tornou-se instrumento de contestação política, trazendo temas sociais, como é o caso de ‘Cálice’, de Chico Buarque.



Moda com toda a Bossa

Entendida a parte histórica, vamos à parte que nos interessa: o estilo de vestir. Os escolhidos para permear as orientações são Tom Jobim e Elis Regina. Ambos possuem como característica a simplicidade e fluidez para representar o que há de mais sofisticado na Bossa Nova dos anos 50.


Antônio Carlos Jobim sempre optou pelo clássico para representar seu modo de vestir. 
Como o conjunto calça de alfaiataria, camisa, calçados do tipo mocassim e cardigã (quando frio) é atemporal, não há dicas para serem dadas.
 Use sem moderação, pois a elegância é garantida.

A sempre sorridente e delicada, porém intensa, Elis Regina, optava por modelagens ‘menininha dos anos 50/60’ para vestir, utilizando vestidos  brancos ou coloridos com modelagem ampla, saias midi ou um pouco acima dos joelhos, estampas da moda e muitas vezes discreta e sapatos da moda, porém simples, como sandálias plataforma e (como dá para notar pela foto, mesmo que um pouco escondido), sapatilhas de amarrar, com salto médio.

Na maquiagem, Elis preferia algo simples e natural, com pele lavada ou discretamente corrigida, dispensando batom, por exemplo, mas investindo em blush natural e cílios postiços. Elegante na medida.


Para os dois casos, a elegância é garantida, desde que não seja utilizado em demasiado. Em outras palavras, tente misturar o que era moda naquela época, com o que é atual, pois a ideia é obter um estilo ‘Bossa’ moderno, e não caricato.

Saindo dos velhos tempos e voltando para a realidade, a próxima edição do DOTB apresenta um estilo que é realmente uma terra sem leis, onde a linha que separa o bom gosto da cafonice, tenho que dizer, é bem tênue.